ATÉ QUANDO A GUERRA ?

Sobreveio aquilo que sabíamos poder vir a acontecer mas em que, de facto, não queríamos acreditar. Um país europeu soberano foi agredido com base numa argumentação falaciosa que distorce a realidade e lhe nega o direito de existir. E se alguém tiver a veleidade de se intrometer nesta “operação especial” ordenada pelo presidente russo, arrisca-se, segundo as suas próprias palavras, a sofrer consequências jamais vistas na História… compreenda-se, um ataque nuclear!

O tempo em que vivemos lembra-nos os dias mais tristes do fim dos anos trinta, do último século. Falsidades como pretexto para a agressão, destruições maciças de bens e de pessoas, ansiedade generalizada quanto ao futuro imediato…

 A Paz, “em nome da humanidade”…

O apelo de António Guterres a Putin, “em nome da humanidade”, nas vésperas da invasão da Ucrânea, impressiona pela sua dimensão dramática e lembra-nos que embora os conflitos tenham acompanhado desde sempre a aventura humana, é essencial apostar na Paz. Continuar a crer que o diálogo entre adversários que se respeitam é a solução para a resolução dos conflitos, faz-nos crescer em humanidade

António Guterres, Secretáro Geral da ONU

Mas não será a guerra inevitável?

Se os conflitos violentos causam tanta destruição e sofrimento, por que razão a humanidade não consegue pôr termo às guerras? A resposta dos politólogos é racional: a História diz-nos que a Guerra é inerente à condição humana, que há condicionantes geográficas, políticas e culturais que forçam as nações a resolver os seus conflitos através da violência, particularmente, quando uma das partes não quer ceder às exigências do adversário. A partir desta constatação surge o problema da liberdade: estaremos nós determinados a massacra-nos indefinidamente? Será possível optar por outras soluções para resolver os nossos antagonismos?

Uma troca de correspondência entre Einstein e Freud, datada de julho de 1932, mas de grande atualidade, tenta responder a estas inerrogações. As cartas, de que aqui traduzimos alguns extratos, foram publicadas no site Web da UNESCO.

Cristãos confrontados à violência

L. Tolstói, K. Barth, M. Luther King e R. Girard, são exemplos de cristãos peocupados com a violência extrema. Pertencem a quatro grandes tradições cristãs: Ortodoxa russa, Reformada (protestantismo histórico), Batista (protestantismo evangélico) e Católica Romana.

“Desde que o mundo existe e que os homens se matam uns aos outros, nenhum crime foi cometido sem que o perpetrador tenha encontrado consolo no facto de o ter feito para o bem público, para a suposta felicidade dos outros”

L. Tolstói, ex-oficial do exército russo, grande romancista e místico

 

“As pessoas não conseguem dar-se bem porque se temem; temem-se uns aos outros porque não se conhecem, não se conhecem porque não comunicam. Temos de aprender a viver juntos como irmãos ou vamos todos perecer juntos, como tolos”

“A humanidade deve acabar com a guerra ou então é a guerra que acabará com a humanidade. Não se trata de uma escolha entre a violência e a não-violência; é uma escolha entre a não-violência ou ainexistência”

Martin Luther King, pastor Batista norte-americano, líder anti segregacionista e Prémio Nobel da Paz

 

« Rejeitamos a falsa doutrina segundo a qual  a Igreja deve reconhecer, por cima ou ao lado da Palavra de Deus, outros poderes, personalidades e verdades, como Revelação de Deus e fonte da sua pregação »

Karl Barth, grande teólogo Reformado, opositor ao nazismo e redator da Delaração de Barmen

“O  divino manifestou-se de maneira mais fiável do que em todas as outras teofanias precedentes, mas os homens não quizeram reconhecê-lo e são agora capazes de se autodestruir. É preciso sacudir as consciências adormecidas! Despreocupar-nos é deixar que o pior aconteça»

René Girard, antropólogo franco-americano, de projeção mundial, que se converteu ao cristianismo no decorrer das suas pesquisas sobre as origens religiosas da violência

 

DOSSIER: Recomeçar a Igreja?

Cânticos e melodias intemporais…

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Cet article a 2 commentaires

  1. Joaquim Armindo

    Parabéns, vão em frente

  2. Paulo Fontes

    Só hoje tive conhecimento de Itinerários! Parabéns pela iniciativa.
    Acabo de ler a notícia do falecimento do Pastor Leite, que conheci pessoalmente em várias iniciativas ecuménicas, nomeadamente aquando da realização das Jornadas europeias “Paz para toda a criação” realizadas em Basileia em 1989, salvo erro. Eu era um dos integrantes da delegação católica, ele um dos organizadores do evento ecuménico. Bela e profética iniciativa! Boas memórias que guardo.
    Abraço amigo aos promotores de Itinerários!

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